Gostaria de fazer uma reflexão.
A Educação à distância tem contribuído para a disseminação do conhecimento em várias áreas e têm dado acesso a esse conhecimento a pessoas em lugares de difícil acesso de instituições.
Eu mesmo, sou usuário de plataformas online de aprendizado, onde posso aprender assuntos de meu interesse. Dentre esses assuntos, estão muitos assuntos sobre Gestão, Estatística, ferramentas de produtividade, de comunicação, etc.
São muito úteis, e voltados a assuntos muito pontuais, como o aprendizado de um software específico. Tem seu valor do ponto de vista do aprendizado. Têm também um preço muito vantajoso, o que me faria economizar muito, levando em consideração que eu precisaria viajar para São Paulo para ter acesso a esse conteúdo, e com o acesso no meu PC, isso já não existiria. A qualidade do conteúdo dos cursos que fiz são boas. Tenho gostado bastante, e inclusive recomendo esses cursos rápidos.
Contudo, tem surgido uma realidade de Graduações em EaD na área da Saúde. os mesmos argumentos acima se aplicariam. Pessoas em lugares distantes de um grande centro, mas que tem acesso à internet poderão ter acesso a um conteúdo. Não precisarão se deslocar tendo as despesas relacionadas, e o valor que investirão será um valor razoável. Parece bem vantajoso. Mas e o conteúdo desse curso? Poderia ter um conteúdo teórico muito bom! Um instrutor com didática é muito valioso! Talvez esses cursos o tenham. Mas me preocupo pelo fato de que é necessário não só ouvir o conteúdo, saber dele. É necessário "Tocar", "viver". Vamos falar de um curso de Farmácia: É necessário ver as células e tecidos no microscópio. É necessário aprender a repicar microrganismos nas placas ou tubos. É necessário saber executar as reações químicas, saber o nome e como manusear as vidrarias de um laboratório. É necessário saber manusear um espectrofotômetro, saber como se faz uma coleta de sangue. É necessário fazer a pesquisa de parasitos no material do paciente. É necessário saber como se manipula uma cápsula, um xarope. É preciso saber qual o formato e a cor do pó do Ácido acetil salicílico para ter critério de aceitação a fim de aprovar ou não uma matéria prima que chega no controle de qualidade. É necessário olhar no olho do paciente, conhecer seus dramas, ouvi-lo...
É claro que muitos trabalhos hoje podem ser feitos a distância. Pode-se fazer análise de indicadores farmacêuticos sem estar no site da empresa, por exemplo. Delegar tarefas delegáveis, atividades de gestão. Isso é possível. Mas poderíamos preparar células e tecidos a distância? Executar reações químicas sem estar num laboratório? colher sangue sem estar com o paciente? realizar uma análise sem estar com um equipamento? manipular um medicamento sem um laboratório? Será que um Farmacêutico formado na metodologia EaD saberia resolver problemas reais, sem uma vivência adequada?
São muitas perguntas... Seria bom arriscar para saber as respostas?
Eu não sou a favor de graduações em Saúde EaD!
Sanclayver Araújo
Farmacêutico Industrial
CRF-PA: 2981
