quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Droga, Fármaco ou Medicamento?



Quando se estuda uma disciplina chamada Farmacognosia, aprende-se três termos que por vezes são confundidos: DROGA, FÁRMACO e MEDICAMENTO. Não poucas vezes se ouve: "comprimidos são fármacos", "Ácido acetilsalicílico é um medicamento", ou "Diclofenaco é uma droga". Não há prejuízo de compreensão, mas há prejuízo de conceitos.

Droga - Parte, órgão ou produto derivado de um animal ou vegetal, que passou por processo de coleta e estabilização.

Fármaco - é a substância quimicamente caracterizada, que exerce o efeito farmacológico.

Medicamento - Produto Tecnicamente obtido ou elaborado com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico

Por vezes em farmacologia se usa de modo intercambiável o termo droga e fármaco. Nesse contexto acabou se convencionando dizer: "droga anti-inflamatória". Vale a pena o raciocínio.

A droga, do ponto de vista farmacêutico é um produto complexo. Como parte de um animal ou vegetal, é difícil dizer exatamente sua real coimposição. Exemplo: Podemos afirmar que uma folha de Ginkgo biloba é a mesma coisa que Flavonóides, ou que uma amostra de Ginkgo biloba tem 25% de Flavonóides? Se a primeira parte da frase for verdade, então significa que não existe celulose, ligninas, ou outros compostos, mas apenas flavonóides. Isso não é correto.

Tomemos como exemplo a Morfina, alcaloide com ação analgésica extraído da planta Papaver somniferum. É uma substância extraída do ópio, resina da flor da respectiva planta, logo, uma mistura complexa. A morfina está no ópio. Mas a morfina não é o ópio. Sua estrutura química é conhecida, bem como se conhece os seus efeitos farmacológicos. O fato de a morfina ser uma entidade química dá a certeza de quem é o sujeito da ação farmacológica, o que no ópio, não poderíamos afirmar se seu efeito seria somente relacionado à morfina, considerando as outras substâncias naturalmente presentes ali.

A morfina, porém, não é administrada como o pó do princípio ativo a um paciente. Ela tem uma forma. para alguns, ela é administrada como um comprimido. Para outros, como uma solução injetável, dependendo da situação. A mesma morfina é apresentada ao paciente de diferentes formas. A essa apresentação, chamamos de medicamento, ou como dita no meio farmacêutico, forma farmacêutica, que é o tal produto tecnicamente obtido. No medicamento tem-se o princípio ativo, mas existem outras substâncias que vão ajudar a ser melhor absorvido pelo organismo por um mecanismo particular, que envolvem diversos princípios físico-químicos.

Na conversa com o paciente, infelizmente, toda essa discussão é inútil. Contudo, dentro das conversas técnicas, faz-se míster ter uma compreensão e aplicação correta dessa terminologia, a fim de uma harmonização ainda maior.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

DNA: Origem de produtos



Se a descoberta de um princípio transformante por Griffith, seguida pela conclusão que esse princípio transformante era o DNA por Avery, cuja estrutura fora elucidada por Watson e Crick, foram informações impactantes no mundo da biologia, talvez naquele tempo jamais se pensasse que elas fossem ser base para inúmeras aplicações que causassem um impacto ainda maior. O entendimento dos processos bioquímicos que envolviam o DNA lançou essas luzes para o grande número de aplicações do mesmo.






O DNA, abreviação em inglês de ácido desoxirribonucleico, contém arranjos de informações que determinam dados fenotípicos de um organismo, que podem ser observados em nível macroscópico ou molecular. O DNA é um polímero que tem combinações de monômeros chamados nucleosídeos monofosfatos, denominados Adenosina, Citidina, Guanosina e Timidina, que continham as respectivas bases nitrogenadas. Tais combinações dão origem a sequências denominadas genes, que carregam informação relacionada a uma proteína que exercerá uma função no organismo.

Até aí, não havia novidade. A novidade talvez fosse que uma determinada sequência de DNA pudesse ser colocada num organismo que ele naturalmente não ocorria. O que isso poderia causar?

Seria possível? Ou seria algo irreal? Para surpresa da comunidade científica isso foi possível inicialmente com a produção da Insulina humana em células de E. coli. Como uma proteína humana pôde ser produzida em uma bactéria? Essa proteína seria idêntica? Seria possível produzir qualquer proteína em bactérias? As mesmas atendiam requisitos para um processo industrial economicamente viável e com o produto seguro? As informações genéticas dentro de um (por exemplo) plasmídeo eram suficientes para a a efetiva transcrição e tradução da proteína?  Ou seria necessário utilizar outros sistemas celulares para atingir o objetivo com os respectivos cuidados a fim de produzir uma certa proteína? Essas perguntas diridiram de certa forma a pesquisa e o desenvolvimento dessa vibrante área aplicada à saúde humana, que foram os medicamentos biológicos. O que mais viria pela frente?

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Escopo da Biotecnologia Farmacêutica

Fonte: http://www.wur.nl/en/Expertise-Services/Research-Institutes/food-biobased-research/Expertise-areas/Biobased-chemicals/Industrial-biotechnology.htm

A área de saúde humana da biotecnologia se preocupa com produtos e processos de interesse à saúde. Invariavelmente, dentre esses produtos se destacam os medicamentos. Por isso, alguns autores chamam esse setor de Biotecnologia Farmacêutica. 

O Termo "biológicos", biofármaco, ou produto Farmacêutico biotecnológico ou medicamentos biológicos, se tornaram parte da literatura farmacêutica. Entretanto, esses termos são usados de modo intercambiável, e podem significar coisas diferentes para pessoas diferentes.

Apesar de se subentender que o termo "biológico" se refere a um produto farmacêutico produzido por meios biotecnológicos, sua definição é limitada. Nos ambientes Farmacêuticos, "biológico" geralmente se refere a hemoderivados, assim como vacinas, toxinas e alérgenos. A Biotecnologia tem um sentido muito mais abrangente e estabelecido. Essencialmente, se refere ao uso de sistemas biológicos (células ou tecidos) ou moléculas biológicas (ex: enzimas) para a fabricação de produtos comerciais.


O termo Biofármaco, foi usado inicialmente na década de 80 para descrever uma classe de proteínas Terapêuticas produzidos por técnicas biotecnológicas, de modo mais específico, por engenharia genética, ou no caso dos anticorpos monoclonais, pela tecnologia de Hibridomas.


Apesar de que a maioria dos biofármacos ou ou produtos biotecnológicos aprovados ou em desenvolvimento são proteínas produzidas via engenharia Genética, esses termos englobam produtos baseados em ácidos nucleicos (DNA e RNA) e terapias celulares. Além disso, células de microorganismos engenheirados podem também gerar produtos, como Antibióticos, Glicanos, etc.


Fonte:
Kar, A. (2007). Pharmacognosy and pharmacobiotechnology.  (2nd ed.). New Delhi: New Age.
Walsh, G. (2007). Pharmaceutical Biotechnology. Chichester: John Wiley & Sons.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O que é Biotecnologia?

Fonte: http://nbnbrasil.com.br/2017/08/04/fabricas-e-novas-tecnologias-podem-ajudar-a-reduzir-importacao-de-biofarmacos/


Muito se tem ouvido sobre biotecnologia. Talvez a primeira idéia que venha à mente quando alguém menciona o termo seja a parte de engenharia genética e DNA recombinante. No entanto o termo é bastante abrangente.
Vamos analisar o nome: BIOTECNOLOGIA. Poderiamos de repente traduzir como tecnologia da vida. Mas que tecnologia seria essa?
Segundo a Biotechnology Innovation Organization, até bem pouco tempo chamada de Biotechnology Industry Organization, uma instituição que suporta as empresas de biotecnologia diz que de modo mais simples, é a tecnologia baseada na biologia, onde processos celulares e moleculares para desenvolver tecnologias e produtos que ajudem a melhorar a saúde do homem e a saúde do planeta. Não é algo novo, pois por milênios os microorganismos têm sido utilizados para fornecer produtos úteis como pão, queijo, bebidas, etc.
Hoje, a biotecnologia se preocupa em fornecer soluções para doenças raras, produzir alimentos, utilizar energias mais limpas, bem como utilizar processos industriais mais limpos e seguros.
Uma coleção de livros texto de professores da Universidade de São Paulo, chamada Biotecnologia industrial traz uma intersecção interessante ao conceituar o termo: A Biotecnologia seria um cruzamento da Engenharia, Química e a Biologia



Dessa forma, a Biotecnologia é uma ciência multidisciplinar focada nas seguintes sub-áreas: Saúde (Humana e Animal), Agricultura, Energia e Indústria. Já é uma realidade no mercado, vegetais geneticamente modificados nas prateleiras dos supermercados. A busca por uma energia sustentável tem levado ao desenvolvimento de processos de fabricação de combustíveis verdes, que levam à eliminação do uso de combustíveis fósseis. Materiais utilizados na indústria tem sido pesquisado quanto à rotas alternativas de síntese, que levem à redução de gastos energéticos e aumento da produtividade. Possibilidades diagnósticas de doenças, engenharia de tecidos, novos medicamentos, etc. Muitos produtos e serviços baseados em mecanismos biológicos. O que podemos esperar ainda?